Plone para governo
Mapa de redirecionamentos na migração de portal: como não quebrar os links que o cidadão já usa
Monte o mapa de redirecionamentos da migração do portal: inventário de URLs, destino de cada endereço, uso do 301 e do 410 e o que conferir após a virada.
Por que uma URL de órgão público é um compromisso
O mapa de redirecionamentos é a lista de todos os endereços do portal atual, cada um com um destino decidido no portal novo: o mesmo endereço, um redirecionamento 301 para o conteúdo equivalente ou a retirada declarada da página. Ele é montado antes da migração e conferido depois dela. É o que impede que o link de uma portaria, de um ofício ou de outro site do governo leve o cidadão a uma página de erro.
Em um site comercial, um link quebrado custa uma visita. Em um portal público, custa um caminho que o próprio Estado publicou e não pode mais corrigir.
Um ato publicado não se edita. Um ofício enviado não volta. O endereço impresso neles precisa continuar levando a algum lugar que faça sentido.
Onde os endereços do portal já estão citados
Em geral, as pessoas chegam por estes caminhos:
- Documentos que não se editam. Portarias, resoluções, editais, ofícios e atos publicados em diário oficial, com o link da página de serviço ou do anexo.
- Sites de outros órgãos. Páginas de ministérios, secretarias e conselhos que apontam para o seu conteúdo.
- Sistemas que consomem o endereço. Integrações que leem um feed, baixam um arquivo ou montam um link a partir de um padrão de URL.
- Material impresso. Cartazes, folders e placas com QR code que vão continuar na parede depois da virada.
- Favoritos. O servidor e o cidadão que salvaram a página no navegador.
Os buscadores são só um desses caminhos. Quando um endereço quebra, quem perde a referência é a pessoa que seguiu um link oficial e encontrou uma página de erro.
Se o órgão ainda está decidindo se troca de plataforma, a comparação entre Plone e WordPress para o portal de um órgão público ajuda nessa etapa. Este texto parte do ponto seguinte: a migração foi decidida.
Inventário de URLs antes de mexer no conteúdo
O mapa só cobre o que o inventário encontrou. Por isso, ele vem antes de qualquer decisão sobre estrutura nova, menu ou layout.
De onde tirar a lista de endereços
Nenhuma fonte sozinha basta. Cada uma mostra uma parte do portal e esconde outra.
- Sitemap atual. Mostra as páginas que o CMS considera publicadas. Costuma deixar de fora anexos antigos e páginas que saíram do menu mas continuam no ar.
- Exportação do CMS. Traz o conteúdo cadastrado, inclusive o que não aparece no sitemap. Não diz o que as pessoas realmente acessam.
- Logs de acesso do servidor. Revelam os endereços que recebem visitas de verdade, inclusive arquivos e URLs com parâmetro que ninguém lembrava que existiam.
- Relatório de páginas do Search Console, se o órgão tiver a propriedade configurada. Ajuda a encontrar endereços conhecidos fora do portal.
- As áreas do órgão. A equipe de comunicação sabe quais notícias foram citadas e quais páginas estão em campanha. Quem mantém sistemas e documentos sabe quais links estão gravados neles.
O inventário precisa incluir mais do que páginas. Entram também anexos (o PDF do edital, o formulário em DOC), imagens linkadas diretamente, feeds e URLs com parâmetro de busca ou de filtro.
Quais endereços conferir primeiro
A prioridade define a ordem de conferência, não quem fica de fora. Nenhuma linha sai do mapa.
Comece por:
- Endereços citados em documento oficial, porque não há como corrigir a origem.
- Páginas de serviço ao cidadão, como solicitação, consulta e agendamento.
- Anexos mais acessados, segundo os logs.
- URLs linkadas por outros sites e sistemas.
Essa etapa depende da comunicação tanto quanto da TI. A equipe técnica tira a lista dos sistemas. A comunicação diz quais endereços estão em circulação.
Como montar o mapa, linha a linha
Uma planilha resolve. O que importa é que cada linha tenha dono e decisão. As colunas que costumam funcionar:
| Coluna | O que registra |
|---|---|
| URL antiga | O endereço exato, como aparece no inventário |
| Decisão | Preservar, redirecionar ou retirar |
| URL nova | O destino no portal novo, quando houver |
| Responsável | Quem do órgão aprovou a decisão |
| Teste | Se a linha passou na conferência e quando |
| Observação | Contexto, como "citado em portaria" ou "anexo de edital encerrado" |
Quando alguém perguntar, meses depois, por que uma página foi retirada, a resposta está na coluna de responsável.
Preservar, redirecionar ou retirar
Cada endereço recebe uma de três decisões.
Preservar. O endereço continua o mesmo no portal novo. É a melhor opção quando a estrutura permite, porque não depende de configuração nenhuma para continuar funcionando.
Redirecionar com 301. O conteúdo mudou de lugar, e o endereço antigo responde com 301 (Moved Permanently) apontando para a página equivalente. Equivalente quer dizer o mesmo assunto, não a página mais parecida que sobrou.
Retirar com 410. O conteúdo foi removido de propósito e não tem substituto. O código 410 (Gone) diz exatamente isso: a página existia e deixou de existir. É mais honesto do que mandar a pessoa para uma página sem relação com o que ela procurava.
Um exemplo hipotético ajuda a ver a diferença. Uma portaria cita a página "Solicitar certidão". No portal novo, o serviço passou a se chamar "Emitir certidão" e mudou de seção. A linha do mapa leva o endereço antigo, com 301, para a página nova do mesmo serviço. Se o serviço tivesse sido extinto, a decisão seria outra: retirar com 410, ou levar a uma página que explique onde o cidadão resolve aquilo agora.
Erros que fazem o redirecionamento virar problema
Redirecionar não é só apontar para algum lugar. Estes são os erros mais comuns:
- Usar 302 onde cabe 301. O 302 (Found) indica mudança temporária. Em migração definitiva, o código certo é o 301. O 308 também é permanente e preserva o método da requisição, útil para integrações.
- Criar cadeias. A leva a B, que leva a C. Cada salto atrasa a resposta e aumenta a chance de quebra. O endereço antigo aponta direto para o destino final.
- Criar loops. A leva a B, que volta para A. O navegador desiste e mostra erro.
- Mandar tudo para a home. Quem chegou procurando um edital não quer a página inicial. A documentação do Google Search Central sobre mudança de site também desaconselha redirecionar muitas URLs para um destino irrelevante como a home, que pode ser tratado como soft 404.
- Esquecer os anexos. O PDF citado no edital é, muitas vezes, o endereço mais importante da lista.
- Ignorar variações do mesmo endereço. Maiúscula e minúscula, barra no final e parâmetros podem gerar URLs diferentes para o servidor. O mapa precisa cobrir as variações que aparecem no inventário.
- Apontar para uma página que vai mudar de novo. Se a migração acontece em fases, o destino precisa ser o endereço definitivo. Caso contrário, a próxima fase cria uma cadeia.
O que conferir nos dias seguintes à virada
A migração não termina quando o portal novo entra no ar. Termina quando o mapa foi testado e os endereços que ninguém previu foram tratados.
Teste o mapa inteiro, não uma amostra
Conferir dez links à mão dá falsa segurança. O teste automático passa por todas as linhas e verifica três coisas:
- O código de resposta é o decidido no mapa (301, 410 ou 200, no caso dos endereços preservados).
- Há um único salto entre o endereço antigo e o destino.
- O destino responde 200 e mostra o conteúdo certo, não uma página genérica.
O resultado volta para a coluna de teste da planilha. Linha que falhou ganha correção e novo teste.
Os 404 que ninguém previu
Por melhor que seja o inventário, alguns endereços vão escapar.
Nas primeiras semanas, acompanhe os logs do servidor e os relatórios de erro. Um 404 que se repete é sinal de endereço em circulação. Ele vira uma linha nova no mapa, com decisão e teste, como as outras.
Avise também órgãos parceiros e responsáveis por sistemas integrados, para que atualizem os próprios links.
Por quanto tempo manter os redirecionamentos
Enquanto houver acesso ou link apontando para o endereço antigo, o redirecionamento continua útil. Em portal público, com endereço citado em ato que não se edita, essa necessidade pode não acabar.
O Google Search Central recomenda manter os redirecionamentos pelo maior tempo possível, geralmente por pelo menos um ano, na mesma orientação sobre mudança de site com alteração de URLs. É uma referência, não um limite: para endereços citados em documento oficial, o critério é o acesso que ainda chega.
O redirecionamento não se mantém sozinho: depende de a regra continuar configurada no servidor ou no CMS. Uma troca de servidor ou de versão da plataforma pode apagá-lo sem aviso. Por isso, o mapa fica documentado junto da infraestrutura.
O mapa de redirecionamentos é uma peça do plano de migração, não uma tarefa de última semana. Em um portal em Plone, ele entra junto com a migração de conteúdo e de versão, que faz parte da frente de migração e sustentação de portais em Plone para governo. Se a mudança é para um portal novo ou para outra plataforma, o mesmo cuidado vale na criação de sites e portais institucionais.